Para quem ainda não conhece essa nova moda da internet, Geotagging  é um termo em inglês junção das palavras “geo”(geografia) e “tag”(etiqueta), ou seja, em uma tradução livre “marcação geográfica” em fotografias. Essa marcação é feita com  a gravação das coordenadas geográficas na foto, em uma área do arquivo destinada a manter as suas informações(data e hora, modelo da câmera, etc) mas que de forma alguma estraga a foto. Essa posição pode ser visualizada através de programas específicos ou usadas automaticamente por alguns sites de compartilhamento de fotos, como o Flickr e o Panoramio(que é essencialmente um site de fotos geotaggeadas).

Em nossa viagem recente para Paraty, Petrópolis, Arraial D’Ajuda, Porto Seguro, Trancoso, Ouro Preto, Tiradentes tivemos uma atenção especial para com o registro da localização das fotos, já que passaríamos por muitos lugares e depois seria difícil lembrar a localização de cada foto.

Existem várias formas de colocar referências geográficas em uma foto, mas ainda não é uma tarefa trivial (a não ser que você compre uma câmera que já tenha GPS ou a possibilidade de se comunicar com um).

Com esse post pretendo  passar algumas informações de como você pode “geotagear” suas fotos. Como são inúmeras formas de se fazer isso, não tenho a pretensão de esgotar o assunto.

Geotagging não exige um receptor GPS


Você não precisa necessariamente ter um  equipamento de GPS para  colocar as informações geográficas em suas fotos. Você pode colocar as informações procurando as coordenadas através de um mapa(como o Google Maps). Obviamente que você corre o risco de esquecer a localização de uma foto, ou ainda, posicioná-la com imprecisão. Adiante mostrarei como colocar a posição na foto sem buscar a posição em um GPS.

Qual receptor GPS utilizar para Geotagging?


Virtualmente qualquer um, desde que tenha a possibilidade de gravação de “tracks”, ou seja manter um histórico de todos os locais por onde você passou. Nesse sentido é importante observar que os navegadores automotivos (popularmente conhecidos como “GPS de carro”) normalmente não possuem esse recurso.

Eu uso um Garmin 60CSx(foto ao lado) sobre o qual eu fiz um review , que é um receptor “de mão” normalmente utilizado para quem precisa de um GPS em qualquer situação (no carro, no meio do mato, em uma trilha de bicicleta, etc).

Não recomendo esse modelo para quem quer apenas colocar informações geográficas em suas fotos pois além de relativamente caro é um pouco trambolhão. Mas, se você quiser usar para outras coisas (mapas, etc), recomendo de olhos fechados!

Se você não tem nenhum aparelho de GPS e quiser fazer geotagging, recomendo comprar um gps do tipo “datalogger”. É um aparelhinho que por fora você não dá nada por ele, pois alguns se parecem com rolo de filme, outros com um chaveiro e outros ainda com um controle remoto de portão eletrônico, mas ele é perfeito para armazenar o histórico de suas viagens/passeios. Obviamente ele não vai armazenar centímetro por centímetro por onde você passou já que isso ocuparia muita memória e tornaria o processamento lento. Dependendo da da situação você pode programá-lo para gravar a posição a cada “x” segundos ou a cada “x” metros (alguns receptores também tem a opção de uma média entre tempoXdistância).

Alguns exemplos de dataloggers


Importante: não tive acesso a nenhum deles para testar, apenas pesquisei alguns na net. Clique na imagem deles para ir para Amazon.com onde você pode encontrar mais detalhes.

GiSTEQ PhotoTrackr™ Lite

Funciona com uma pilha AA
Exporta para os formatos NMEA, GPX, KML e HTML
Possui memória interna de 4Mb que permite gravar até 250.000 pontos
Não possui nenhum display

i-Blue 747 Bluetooth Data Logger

Esse é interessante pois além de gravar por onde você passou, ele possui bluetooth. Dessa forma, ele pode se comunicar com um PDA, Celular ou Notebook e funcionar como um GPS “normal”. Vem com memória interna de 32 Mb
 

Usando seu celular para gravar suas rotas de viagem


Alguns celulares tem a função datalogger, seja embutida ou com a instalação de algum programa. A Nokia disponibiliza o Nokia Sports Tracker para ser instalado em seus aparelhos. Como o próprio nome indica, originalmente ele foi criado para guardar informações sobre trajetos percorridos em atividades esportivas, mas esses mesmos dados servem para geotagging.

Boa parte dos celulares que possuem GPS e câmera integrada já gravam as coordenadas da foto automaticamente. No caso de alguns celulares não muito recentes da Nokia é necessária a instalação do programa Location Tagger no celular. Gravando as informações diretamente na foto feita com a câmera do celular você não precisa se preocupar com gravação de rotas, processamento do arquivo GPX, etc. Por outro lado, sabemos que as fotos feitas com um celular não aquilo tudo.

Como salvo minhas rotas percorridas no receptor?


Essa é uma pergunta um pouco difícil de ser respondida pois cada receptor possui uma forma diferente. Você deve procurar no manual do seu aparelho (seja recepttor GPS dedicado, datalogger ou celular) alguma referência a “gravação de trajetos”, “gravação de gpx”, “tracker” ou algo do gênero.

No caso do Garmin 60CSx você deve ir em Menu->Trajectos->Definições->Config. carta dados e marcar a opção “Regist. Trak p/Carta Dados”  (copiei literalmente do GPS, a tradução foi mal feita pela Garmin). Isso fará com que o Garmin crie um arquivo .GPX por dia que pode ser baixado posteriormente via cabo USB.

Receptores GPS para ligar diretamente em câmeras


Algumas câmeras mais novas e das linhas top possuem a capacidade de gravar as informações geográficas diretamente na foto, com a conexão de um dispositivo externo:

Nikon GP-1

Esse dispositivo  pode ser encaixado na sapata de flash ou ser deixado “solto”. A conexão de dados é feita através de um cabo conectado na entrada mini-usb da câmera. Veja um review com várias fotos aqui.
Compatível com as câmeras atuais da Nikon (D90, D300, D3, D700, etc)
WFT-E2/E2A/E3/E3A/E4/E4ACanon WFT-E2/E2A/E3/E3A/E4/E4A

A Canon possui vários tipos de receptores GPS para suas câmeras.
Compatível com os modelos mais atuais da Canon (Canon 40D, 50D, 5D Mark II, 1D Mark III, 1Ds Mark III)


Obviamente que quem possuir esses modelos de receptores e essas câmeras, não precisa “fazer geotagging”  pois a foto sai pronta da máquina :)

Arquivo GPX, tracker e minhas fotos… como é feita a mágica?


Você deve estar se perguntando como unimos as informações vindas dos arquivos gerados pelo GPS com as fotos tiradas pela câmera. A resposta para isso é muito simples: o arquivo com o caminho percorrido possui no mínimo 3 informações para cada ponto que ele grava: Latitude, Longitude e Data/Horário (alguns gravam altitude) em que o ponto foi gravado.
Sua câmera também grava na foto a data e o horário em que ela foi tirada. Juntando essas duas informações fica fácil: “bom, se o cara esteve na posição X,Z no horário 12:37:05 e a foto foi tirada em 12:37:05, isso significa que a foto foi tirada na posição X,Z”.

Ou seja, para o geotagging funcionar, duas coisas são fundamentais:

1) O GPS precisa estar junto da câmera: isso é +/- óbvio. Se você deixar o receptor 2 Km longe da câmera, suas fotos serão sempre marcadas com um erro de 2 Km (no mínimo). Por isso, sempre carregue seu GPS no bolso!

2) O horário da câmera deve bater com o horário do GPS: extremamente importante, pois os programas irão usar essa informação para “casar” a foto com a posição. Sempre ajuste o relógio interno de sua câmera pelo horário do receptor pois este sempre estará com a hora certa vinda do satélite. O horário não precisa bater perfeitamente. Os programas trabalham com uma relativa “margem” até porque os pontos não são gravados segundo a segunto.

Juntando os pedaços


Terminada sua viagem, é hora de descarregar o arquivo com o tracker. Novamente terei que me desculpar pois cada receptor possui um modo diferente de descarregar o arquivo e seria impossível cobrir todos nesses post. Procure no manual do se receptor como gerar um arquivo GPX  de sua viagem. Perceba que é o formato mais indicado, apesar de haver outros.

Como fazer a tal “mágica” veremos no próximo post!

Fique a vontade para fazer questionamentos. Aproveito para avisar que esse artigo não é um artigo “finalizado” e pretendo acrescentar mais informações.