Tiradentes, terra natal do famoso inconfidente, tem um centrinho charmoso. A cidade nos fez lembrar Paraty (segundo a dona da pousada, tiveram o mesmo fundador).
Ficamos na Pousada Arco-íris, uma boa surpresa e olha que estávamos exigentes já que a última pousada havia sido a de Ouro Preto. Dona Catarina não deixou a desejar, sobretudo pelo caprichado café que serviu na manhã seguinte: suco, iogurte, queijos, biscoitos, pão, pão de queijo quentinho.
No centro, lojinhas, restaurantes, uma praça com charretes estacionadas, oferecendo passeios aos turistas. Somente em Tiradentes encontramos os desejados queijos e doces que procuramos desde que chegamos no estado. Lojas especializadas, como a Flor de Lótus, que vendem doce de leite, puro ou com misturas deliciosas (nozes, maracujá, chocolate etc), cocada cremosa, pura ou com misturas, conservas de pimentas, vidros de geléias caseiras e cachaças. Encontra-se queijo mussarela com tomate seco, mussarela de búfala, provolone, parmesão, entre outros, defumados ou temperados, tanto na Flor de Lótus como na Romeu e Julieta. Nossa perdição, fizemos uma comprinha e lotamos nossa geladeira. Segundo os comerciantes, os queijos embalados à vácuo duram de três a cinco dias fora de refrigeração, mas preferimos não arriscar.
Seguindo a dica do Guia 4 rodas (que certas vezes nos decepcionou), fomos procurar o Chico Doceiro. Não fica no centro, tão à vista, mas vale a procura. Quando chegamos estava saindo uma leva fresquinha de canudinhos com doce de leite. Sempre desconfiei da combinação, já que em Blumenau comemos o canudinho salgado, com maionese de batatas. A massa é diferente e fica muito bom mesmo! Não gosto de coisas muito doces e o doce de leite deles é perfeito, leve. Compramos dois potes de doce de leite pra levar e mais pé-de-moleque, cocada (ótima), brigadeiro e docinho de leite com banana.
Jantamos no Empório das Massas (razoável), quase em frente a pousada. No centro tem outras opções, de preços diferenciados.
O forte do comércio local são os móveis de madeira de demolição, peças em estanho, antigüidades, artigos de cama e mesa com trabalhos manuais e antigüidades. Vale a pena circular pelas lojinhas de antigüidades, que têm desde peças mais caras até quinquilharias.
Em um passeio à pé pela cidade se chega às atrações mais importantes, como a Matriz de São Antônio, a Igreja de São Francisco de Paula (vale a vista da cidade e da Matriz, de frente), a N. Sra. do Rosário dos Pretos, a N. Sra. das Mercês e o Museu do Padre Toledo. Também tem passeio de maria-fumaça, até São João del Rei, mas estávamos satisfeitos com o passeio de Ouro Preto a Mariana.

Fato divertido aconteceu na noite em que ficamos na cidade. Como teve um problema com o fornecimento de energia elétrica (coisa comum, segundo locais), que estava funcionava apenas em uma fase, fomos caminhar pelo centro. Assim, o Cassio aproveitaria para fazer fotos noturnas, já que as ruas da cidade são ainda mais bonitas iluminadas. Segundo a vizinha da pousada (povo conversador, simpático), haveria um concerto na Matriz. Fomos até lá e encontramos a igreja fechada, recebendo convidados, já que se tratava da ceromônia de apresentação do órgão da principal igreja da cidade, restaurado com recursos da Petrobrás. Ficamos por ali, vendo o desfile de lantejoulas, vestidos de festa, mas também calças jeans, tinha de tudo. Decidimos ficar para ouvir um pouco de música e depois continuaríamos o passeio pela cidade. Um dos produtores do evento, muito gentil, aproximou-se e nos convidou a assistir a apresentação. Lá fomos nós, de chinelos e bermuda, nos juntar aos demais dentro da igreja. Discursos, agradecimentos, descobrimos que se tratava de uma ocasião realmente importante para a cidade,pois o órgão de 1788 pouco funcionava nos últimos anos e a movimentação para a sua restauração começou em 2004, tendo a restauração iniciado em 2007. Como as demais, a visitação é paga (R$ 6,00) e não pode fotografar. Igreja belíssima, com a iluminação ressaltando o dourado dos ornamentos. Pois bem, Cassio teve a oportunidade única de fotografá-la em seu auge. Lá pelas tantas, posicionou-se nos fundos da igreja, montou o tripé e discretamente (na medida do possível, já que era um alemão daquela altura, de bermuda e chinelos naquele contexto) conseguiu as fotos que queria. Curiosidade sobre esta igreja: sob ela funciona um cemitério, alguns moradores estão enterrados ali, debaixo do piso. Bem bizarro...
Endereços:
Pousada Arco-íris: R. Frederico Ozanan, 340 - Tel.: (32) 3355-1167
Chico Doceiro: R. Francisco de Moraes, 74
Outras pousadas:
Pousada da Bia: R. Frederico Ozanan, 330 - Tel.: (32) 3355-1173
Pousada Amaryllis: R. Frederico Ozanan, 358 - Tel.: (32) 3355-1393